Estamos sendo roubados. Chamem a polícia!

“O Brasil é o único lugar que passou da barbárie à decadência sem conhecer a civilização”.

(Frase atribuída a Claude Lévi Strauss, 28/11/1908 – 30/10/2009, antropólogo, professor e filósofo belga).

Sim, já estamos vivendo essa decadência... Numa autêntica apropriação indébita disfarçada. O mais puro peculato. Difícil admitir, mas os brasileiros estão sendo assaltados pela escandalosa bolsa-moradia do Poder Judiciário. Não apenas do Poder Judiciário, por certo! Também são roubados pelas invenções legais (mas imorais, naturalmente) para incrementar os salários dos altos integrantes do Poder Executivo e do Poder Legislativo para enganar o teto estabelecido de que nenhum servidor público poderá ganhar mais que os membros do Supremo Tribunal Federal.

Tal incremento nem é tributado pelo Imposto de Renda. Os ciosos auditores da Receita Federal, os quais conseguem segurar uma pulga numa suposta e aparente sonegação tributária, lançando o contribuinte na temida e nazifascista malha fina permitem que um elefante cheio de penduricalhos passe incólume, sob as suas barbas, sem nenhuma admoestação. Por que será? Um cravo no casco e outro na ferradura? Para bom entendedor...

O novo presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo desembargador Manoel de Queiroz Pereira Calças, quando questionado por jornalistas no último dia 5 de fevereiro sobre o auxílio-moradia, dissera que recebe o benefício, que tem muitos imóveis e que o valor "é pouco".

"Auxílio-moradia é previsto na Lei da Magistratura Nacional 'ponto'", afirmara. Ao perguntarem se recebia o benefício, o presidente respondera secamente: "recebo". Sobre se tinha imóveis, declarara: "Tenho vários imóveis, não só um". Incrível! Mas ousa também a fazer jus da bolsa-moradia...

Lei anacrônica, originária do tempo dos militares no poder, quando quem tinha juízo, consentia, mas quem podia, mandava, é bem um estilo muito assemelhado e apropriado ao novo desembargador, também autocrático e despótico, sem que não se possa lhe negar também um egoísmo quase que desenfreado, querendo o quanto mais, melhor. Desde que à custa do sacrifício de todos os paulistas que pagam a fatura. Quase cinco salários-mínimos...

O novo desembargador não deve conhecer o que significa sensibilidade ou solidariedade. Ao menos com os mais de doze milhões de desempregados que sentem na pele as agruras de não ter dinheiro para pagar o aluguel, a prestação do imóvel financiado, a conta de energia elétrica ou a conta do consumo d’água, ou, ainda, para comprar os itens essenciais da alimentação diária para si e os seus familiares.

Sensibilidade, solidariedade? Só se for apenas com os seus familiares – filhos principalmente -, parceiros de magistratura, com os integrantes do Ministério Publico, com membros do Executivo e do Legislativo, os quais também devem possuir imóveis que rendem aluguéis, mas que usufruem das mesmas prebendas, mormente a da bolsa-moradia, organizando-se para propor novas invenções visando ao assalto ao erário do estado de São Paulo e, assim, encher as calças, melhor, os bolsos das calças.

Para encerrar, o desembargador tivera o desplante de dizer ainda na entrevista aos jornalistas que não considerava a atitude antiética, porque o auxílio funcionava como um salário complementar.

E complementando: "Na verdade, o auxílio-moradia é um salário indireto", afirmara. "Ele tem o nome de auxílio porque na Lei Orgânica da Magistratura é previsto como tal e tem uma decisão da Suprema Corte que está prevendo para todos os juízes”. Isso na maior cara-dura.

A controversa bolsa-moradia no país pode chegar a custar R$ 4 bilhões por ano. Essa conta inclui a concessão dessa regalia aos integrantes, principalmente, do Poder Judiciário e do Ministério Público na União, nos estados e nos municípios.

É quase igual ao que o governo gasta com o programa habitacional Minha Casa Minha Vida, segundo o relator da comissão sobre o teto do serviço público, deputado Rubens Bueno (PPS-PR), o qual reclama que juízes e procuradores não entregam dados detalhados sobre esses gastos.

Por último, citando a advertência de Ives Gandra da Silva Martins na introdução do seu artigo no A2 do jornal O Estado de S. Paulo de 25/01/2018 com o título “Brasília, a Versalhes de Luís XVI no Brasil/2018”: Qualquer analista imparcial, não comprometido com o gozo de benefícios e privilégios “autoassegurados”, em Brasília, percebe que, se políticos e burocratas não mudarem a mentalidade, o Brasil será o mais forte candidato a reeditar o drama “venezuelano”, em médio prazo, no cenário mundial.

Alonso de Oliveira, jornalista. Foi secretário de Administração, diretor de Suprimentos e coordenador de RH da prefeitura de Americana. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..

Share this article

About Author

administrador

Publicado pelo Administrador, porém não necessariamente escrito ou opinião do mesmo!

Entre para postar comentários

Sobre Nós!

Web Portal Santa Bárbara d’Oeste SP, de conteúdo informativo independente, todas as notícias e artigos são de propriedade e responsabilidade do autor.

 

Informações da cidade de Santa Bárbara d’Oeste e Região!

Fale Conosco!

Últimos posts