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A indústria da multa

O presidente Michel Temer assinou dia 20 último o decreto que permite a conversão de multas ambientais não quitadas, lavradas contra infratores poderosos e descaradamente desonestos. Tal conversão consiste na prestação de serviços de melhoria do meio ambiente, tal qual o reflorestamento de áreas degradadas.

Reflorestamento de áreas degradadas, até parece que algo nobre irá acontecer, não é mesmo? Teriam sido os índios, habitantes naturais dessas áreas, tidas no papel como de preservação permanente, os responsáveis por tal degradação? Claro que não.

São aqueles empresários que abastecem ainda o meio político com propinas, os quais ardilosamente tentam burlar a atenção vívida dos brasileiros, a cada dia e em maior número plugados nos meios virtuais para se inteirar dos crimes cometidos por esses lobos travestidos de ovelhas.

Eles tentam agora se mostrar de cara limpa, como se não tivessem nenhuma responsabilidade com a destruição do meio ambiente, ampliando a área plantada com incêndios criminosos a derrubada de florestas centenárias, responsáveis pela captura do gás carbônico e impedindo o aumento da temperatura da Terra ao manter a camada de ozônio que protege a população contra os raios solares mais intensos e nocivos à saúde.

Dia 5 de novembro último: dois anos da tragédia de Mariana. Tragédia anunciada, todos sabiam que ela podia ocorrer. O Ministério Público Federal tem em seu poder gravações que comprovam que os empresários e dirigentes da San Marco sabiam dos riscos que a população e o meio ambiente corriam.

Mas para os megainvestidores a tragédia faz parte do espetáculo. A contaminação dos rios, a destruição do meio ambiente, a mortandade dos animais, o que pode significar algumas mortes? A dos outros, claro! Todos os dias pobres nascem aos montes. Uma contenção até que não faria mal.

Que tal um acidente forjado? Tudo jogado para debaixo do tapete, a justiça morosa, sem julgar coisa alguma, as decantadas multas que não são nem serão pagas e os intermináveis recursos a impedir o julgamento, a condenação e a prisão dos culpados.

E o pior: a mineradora está sem operação. A cidade se ressente da falta do emprego e do salário, os desempregados pressionam o prefeito, a prefeitura, sem receita, sucumbe diante do capital. Não demorará muito, o prefeito, os vereadores e a população se submeterão, fazendo vista grossa ao infausto. Assim funcionam as coisas no Brasil.

O decreto autoriza que mais de R$ 4 bilhões em multas aplicadas por órgãos federais como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sejam convertidas em investimentos ambientais.

Pela história de como as coisas funcionam no Brasil, a empresa será ainda homenageada como grande fomentadora do progresso da região.

Alonso de Oliveira, jornalista. Foi secretário de Administração, diretor de suprimentos e coordenador de RH da prefeitura de Americana. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..

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